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Defesa

Consórcio liderado por portugueses para desenvolver camuflagem de alta tecnologia para soldados europeus

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Um consórcio de 19 empresas de 9 países da UE decidiu desenvolver uma camuflagem disruptiva e de alta tecnologia para os soldados europeus. O projeto, denominado ACROSS (Adaptive Camouflage for sOldierS and VehicleS) foi apresentado numa conferência no Press Club em Bruxelas na segunda-feira (28 de maio).

A ACROSS reúne ONG, universidades, PME, organizações governamentais e empresas têxteis e eletrónicas de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Itália, Suécia, Lituânia e Grécia. É liderado pelo Centro Tecnológico Português da Indústria Têxtil e de Vestuário CITEVE.

Totalmente financiado pelo Fundo Europeu de Defesa (FED), o projeto de 14.57 milhões de euros procura desenvolver soluções de camuflagem multiespectral e adaptativa, combinando materiais e tecnologia existentes com a investigação inovadora, explicou o Diretor Geral do CITEVE, António Braz Costa. Projetados tanto para pessoas como para veículos, os novos equipamentos serão capazes de adaptar as suas assinaturas a diferentes contextos, a sensores de vigilância, diferentes condições meteorológicas e luminosas e níveis de ameaça para reduzir os intervalos de deteção, rastreamento, reconhecimento e identificação.

Para atingir este objetivo, a ACROSS está realizando pesquisas sobre a combinação de tecnologias inovadoras e atuais utilizando materiais disruptivos para obter proteção nas seguintes faixas espectrais: radiação UV (100-380 nm), radiação VIS (380-780 nm), infravermelho próximo ( 0.75–1.4 μm), IR de comprimento de onda curto (1.4–3 μm), IR de comprimento de onda médio (3-8 μm) e IR de comprimento de onda longo (8-15 μm), juntamente com bandas de radar X (8–12 GHz) , Ka (27-40 GHz) e W (75-119 GHz).

“Nosso objetivo é ser capaz de desenvolver novos equipamentos que aumentem o desempenho e a capacidade de sobrevivência dos soldados. Isto é um desafio e não será fácil mas pretendemos alcançá-lo através do desenvolvimento de novas soluções”, explicou Gilda Santos, do CITEVE. “Esta é uma área de oportunidades e precisamos de uma mente aberta e teremos que realizar muitos testes. Mas tudo é voltado para o usuário final: o soldado.”

Os países da UE aumentaram, de facto, acentuadamente as despesas com a defesa nos últimos anos. Em 2022, em termos absolutos, as despesas de defesa da UE aumentaram para 204 mil milhões de euros, contra 184 mil milhões de euros em 2021. Entre o início da guerra na Ucrânia e Junho do ano passado, os estados da UE gastaram mais de 100 mil milhões de euros em equipamento militar, mas 80 mil milhões de euros % estava fora da UE, com mais de 60% indo apenas para os Estados Unidos.

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“Este projeto mostra que podemos fazer isto por nós próprios aqui na Europa. Com este projeto, tudo fica na Europa e apoiará as cadeias de abastecimento locais. Actualmente, nós, na Europa, dependemos, em certa medida, de outros países e regiões, como os EUA e a Ásia, mas precisamos de fazer nós próprios estas coisas na Europa e apraz-me dizer que os especialistas envolvidos no projecto ACROSS estão a tentar fazê-lo. ”, Martin Jõesaar, Diretor do Projeto ACROSS na Direção-Geral da Indústria de Defesa e Espaço da Comissão Europeia.

Salientando a importância no terreno de aumentar as capacidades de camuflagem, o Tenente-Coronel Rodrigues disse que “o que este tipo de tecnologia pode dar a um soldado é a vida – a oportunidade de viver depois da batalha”. Além dos melhores recursos de ocultação, também economizará um tempo valioso dos soldados ao mudar de um ambiente para outro. “Por exemplo, se estão a mudar de uma floresta para uma paisagem urbana, não precisam de perder tempo a mudar de roupa”, acrescentou.

O período de implementação é de 42 meses, dos quais 6 já decorreram. O desenvolvimento dos materiais ocorrerá em etapas. 

A compatibilidade de materiais com diferentes comprimentos de espectro será testada num primeiro demonstrador conceptual, que será apresentado ao utilizador final, ou seja, ao exército, para feedback. A partir do primeiro demonstrador, será desenvolvido um projeto conceitual seguido de um demonstrador global.

Até o ano passado, espera-se que protótipos sólidos possam ser testados mais amplamente pelos militares.

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