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Cimeira #NATO: 'A Europa tem de fazer mais pela sua própria defesa'
Um exército da UE não está nas cartas por enquanto, no entanto, uma cooperação mais estreita em segurança e defesa está se tornando mais importante. Durante a cimeira da NATO em Varsóvia, a UE e a NATO assinarão uma declaração destinada a reforçar a cooperação, ao mesmo tempo que estabelece uma divisão eficaz de responsabilidades. O eurodeputado liberal estoniano Urmas Paet (foto), que está a redigir um relatório sobre a União Europeia de Defesa, avalia se os países da UE estão prontos para trabalhar de forma mais estreita em matéria de segurança.
A resposta curta é sim, porque precisamos de muito mais cooperação direcionada no domínio da defesa e segurança na União Europeia. Acho que já estamos um pouco atrasados se olharmos para o que está acontecendo na vizinhança imediata da Europa: seja isso instabilidade nos países vizinhos, seja em questões relacionadas ao terrorismo, mas também, infelizmente, o comportamento agressivo da Rússia nos últimos anos.
Além disso, os Estados Unidos têm grande responsabilidade pela segurança europeia por meio da OTAN, mas não acho que isso seja apropriado. A Europa deve cuidar muito mais da sua própria segurança. Significa cooperação, significa também mais verbas orçamentais e orçamentos de defesa e é por isso que considero o meu relatório muito oportuno. Por último, precisamos de ter uma posição política muito clara sobre a forma como a cooperação europeia no domínio da defesa deve evoluir.
Como funcionará a futura política europeia comum de defesa e segurança em conjunto com a OTAN? Que resultado espera da Cimeira da NATO em Varsóvia a este respeito?
Em primeiro lugar, penso que a NATO e a UE deviam dar muito mais valor à cooperação do que até agora. Por exemplo, a Otan tomou a decisão de aumentar o nível de militares da Otan em alguns países do Leste Europeu, mas isso requer coisas como infraestrutura para acomodar todas essas pessoas. E aqui a UE pode apoiar investimentos em infraestruturas que são necessárias para esta nova situação e que também vão de par com os planos da OTAN.
Espero da cimeira de Varsóvia que a OTAN tome uma decisão clara e se comprometa no que diz respeito a todos os Estados membros da OTAN, de modo que o nível de defesa e protecção seja o mesmo para todos os Estados membros, independentemente da localização geográfica exacta. Mais uma vez, vejo que a UE e a Otan podem fazer muito para trabalhar em conjunto no que diz respeito a ameaças cibernéticas e segurança cibernética e, claro, parcerias muito mais fortes com países não pertencentes à OTAN.
A situação da segurança na Europa e à sua volta está a piorar. Isso te preocupa?
A resposta curta é sim, claro. Todos nós vemos a tragédia e a catástrofe humanitária na Síria, toda a instabilidade em outros países vizinhos da Europa e, infelizmente, também em muitos outros lugares atingidos por ataques terroristas. A Líbia continua instável e esta vizinhança do sul da Europa ainda é muito frágil e turbulenta. E, claro, as atividades russas na Ucrânia, onde infelizmente ainda não vemos nenhuma mudança. Tudo isto significa que a Europa tem de fazer mais no que diz respeito à segurança de todos os nossos Estados-Membros e à nossa própria defesa.
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