O embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que os EUA também buscavam realizar projetos de financiamento semelhantes “em outras partes do mundo”.
Chapman disse que barrar equipamentos de fabricação chinesa era "uma questão de segurança nacional e da própria economia".
O financiamento seria apoiado pela International Development Finance Corporation, um banco de desenvolvimento criado pelos Estados Unidos no final de 2018 para combater os projetos de desenvolvimento internacional de grande alcance da própria China.
Clima de investimentoO foco seria trazer equipamentos 5G da Ericsson e da Nokia, disse Chapman.
“Houve algumas conversas no Brasil, inclusive com a minha participação”, disse ele ao jornal. “E isso também está acontecendo em outras partes do mundo, não é só no Brasil que queremos trabalhar com a Ericsson e a Nokia.”
Ele mencionou que os EUA estão lançando um programa chamado 5G Clean Path em 1º de agosto, que impedirá as instalações diplomáticas dos EUA de usar os serviços de operadoras de rede que usam equipamentos chineses.
Ele argumentou que os investidores internacionais podem ficar desconfiados de países que fazem uso de componentes da Huawei.
“Quem quer fazer investimentos em países onde suas informações não serão protegidas?” Chapman disse ao jornal.
“Tudo isso tem impacto sobre o clima de investimento no país.”
'Interesse de segurança'
Os EUA têm sido exortando seus aliados a barrar equipamentos de fabricação chinesa da sua Programas de infraestrutura 5G, mas até agora apenas um punhado, incluindo Australia e a Nova Zelândia, o fizeram.
“Espero que tenhamos, aqui no Brasil, uma decisão que satisfaça seus interesses nacionais, econômicos e de segurança”, disse Chapman.
Os EUA argumentam que o governo chinês poderia obrigar a Huawei a espionar países que usam seus equipamentos, enquanto a Huawei afirma que não poderia ser obrigada e não tem os meios para fazê-lo.
Mais recentemente, os EUA disse que alteraria as leis de exportação para interromper o fornecimento da Huawei de microprocessadores fabricados por empresas estrangeiras que usam equipamento ou software dos EUA.
A empresa acusou os EUA de usar a segurança nacional como pretexto para impedir a livre concorrência.
Compromisso
A Huawei está presente no Brasil há 20 anos - assim como no Reino Unido - e está ajudando as empresas de telecomunicações a atualizar suas redes antes de um esperado leilão de espectro 5G.
A empresa realizou testes 5G com as quatro principais operadoras do Brasil e, no ano passado, estava planejando construir outra fábrica no estado de São Paulo até 2022.
Huawei no início deste mês lançou uma campanha publicitária no Reino Unido marcando os 20 anos de presença no mercado britânico e dizendo que estava comprometido com o país.

