Saúde sexual e direitos
Consentimento, não resistência: Parlamento Europeu apoia definição de estupro baseada no consentimento.
O Parlamento Europeu adotou um relatório histórico que insta a Comissão Europeia a apresentar legislação específica que estabeleça uma definição de violação baseada no consentimento, válida em toda a UE. A votação representa um passo decisivo, após o revés de 2024, quando uma definição baseada no consentimento foi retirada da diretiva mais abrangente da UE sobre violência contra as mulheres, depois de vários Estados-Membros argumentarem que a UE não tinha competência jurídica para legislar sobre violação. Pela primeira vez a nível da UE, o relatório reconhece a "reação de congelamento", uma reação involuntária ao medo que pode levar à paralisia temporária, juntamente com a "reação de submissão", uma estratégia de sobrevivência em que as vítimas apaziguam o agressor para evitar a escalada da violência, estabelecendo que nenhuma delas constitui consentimento.
O relatório também deixa claro que o consentimento pode ser retirado a qualquer momento durante um ato sexual. Ele defende a criação de centros de crise 24 horas em toda a UE, acessíveis sem necessidade de denúncia formal, e a extensão dos prazos de prescrição para crimes de estupro, reconhecendo que o trauma muitas vezes atrasa a denúncia. A Renew Europe saúda veementemente a inclusão de uma definição de cultura do estupro como um problema estrutural, e não como má conduta individual, e a formação obrigatória para policiais, promotores e juízes.
A eurodeputada Anna-Maja Henriksson (Partido Popular Sueco na Finlândia), relatora-sombra do Renew Europe para a Comissão das Liberdades Cívicas, da Justiça e dos Assuntos Internos, afirmou: "A força de qualquer quadro jurídico reside na sua aplicação consistente. Na área da violência sexual, essa consistência tem faltado com demasiada frequência, cabendo, na prática, às vítimas o ônus da prova, em vez de se verificar se o consentimento foi dado livremente. Isto tem de parar. É tempo de reforçar a proteção das vítimas e sobreviventes e de mudar a forma como os crimes sexuais são encarados em toda a União."
A votação representa um passo extremamente importante. Trata-se de garantir que a lei proteja as vítimas de forma eficaz e que a justiça seja feita na prática. Sexo sem consentimento é estupro." A eurodeputada Abir Al-Sahlani (Partido do Centro/Suécia), coordenadora do Renew Europe e relatora-sombra da Comissão dos Direitos da Mulher e da Igualdade de Gênero, afirmou: "Hoje, o Parlamento Europeu nomeou o que os tribunais se recusaram a ver durante décadas. A maioria dos estupros é cometida por alguém que a vítima conhece, em casa, sem violência física, e a maioria das vítimas fica paralisada pelo medo em vez de reagir. Durante anos, a lei foi construída em torno de uma visão completamente equivocada do estupro. Este relatório também nomeia a cultura do estupro pelo que ela é: não um conjunto de indivíduos maus, mas um sistema de atitudes e normas que normaliza a violência sexual e protege os agressores. Mudar a lei é o primeiro passo para desmantelar esse sistema, e esta votação é o primeiro passo."
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