Cazaquistão
Presidente Tokayev lidera reflexão nacional sobre repressão política e fome no Memorial ALZHIR
O presidente Kassym-Jomart Tokayev proferiu um discurso impactante e comovente hoje no Complexo Memorial ALZHIR, marcando o Dia Anual em Memória das Vítimas da Repressão Política e da Fome no Cazaquistão. Falando perante cidadãos, historiadores e descendentes dos perseguidos, Tokayev reafirmou o compromisso da nação com a justiça histórica e traçou um caminho claro para um futuro unificado e progressista.
A cerimônia solene homenageou a memória de milhões de pessoas que pereceram sob as políticas brutais do totalitarismo da era Stalin, incluindo a coletivização forçada da década de 1930 e as campanhas de terror que devastaram a classe intelectual e política do Cazaquistão. ALZHIR — o campo de Akmol para as esposas dos chamados "traidores da Pátria" — serviu como um símbolo gritante dessas injustiças. De 1938 a 1953, cerca de 8,000 mulheres foram presas em ALZHIR, muitas delas apenas por serem casadas com acusados.

O presidente Tokayev enfatizou que a memória dessas vítimas é sagrada. "Não há justificativa para as políticas estatais desumanas e fundamentalmente falhas daquele período. Jamais devemos permitir que tais tragédias se repitam", afirmou.
O Cazaquistão tem envidado esforços significativos para reabilitar aqueles que sofreram perseguição injusta. A Comissão Estatal para a Reabilitação Completa das Vítimas da Repressão Política, criada há cinco anos, revisou mais de 2.5 milhões de materiais de arquivo e garantiu a reabilitação de mais de 300,000 indivíduos. Essa iniciativa também levou à publicação de uma coleção de 72 volumes e de um arquivo dedicado de 12 volumes de casos contra membros do movimento Alash Orda — um trabalho sem precedentes mesmo entre os antigos Estados soviéticos.
Um centro especial de pesquisa recém-criado sob o Arquivo Presidencial agora abriga 700,000 documentos desclassificados, fornecendo uma base para estudos acadêmicos e educacionais de longo prazo. "Este é um esforço verdadeiramente em larga escala — sem precedentes na história do Cazaquistão", observou Tokayev.
O presidente exortou os cidadãos a não politizarem ou reinterpretarem a história pela ótica do presente. "Figuras antes elogiadas com tanto entusiasmo agora são retratadas como vilãs, e aquelas antes condenadas são rebatizadas pelos propagandistas como heróis", alertou. "Precisamos nos libertar do complexo de vítima — olhar constantemente para trás é sinal de fraqueza."
Tokayev vinculou a memória à renovação nacional, destacando as amplas reformas políticas e constitucionais introduzidas desde o referendo de 2022. Entre elas, estão a criação de um Tribunal Constitucional, a expansão dos poderes parlamentares e as eleições diretas de autoridades locais, com o objetivo de promover a transparência, a justiça e a participação cívica sob a bandeira de um "Cazaquistão Justo".
Ele enfatizou que a unidade nacional, a responsabilidade cívica e a compreensão histórica são os pilares da democracia em evolução no Cazaquistão. "Nosso povo é o guardião do código cultural único da civilização da Grande Estepe", disse ele. "Essa herança nos ajudou a perseverar e preservar nossa dignidade humana em tempos de dificuldades históricas."
Dirigindo-se aos jovens presentes, o Presidente Tokayev os incentivou a abraçar a história como uma fonte de força, e não como uma limitação. "Conheçam a sua história, mas olhem para o futuro com confiança. Aprendam, progridam e estejam sempre prontos para defender a nossa soberania", disse ele. Ele também apelou aos jovens do Cazaquistão para que estejam preparados para o futuro num mundo moldado pela incerteza e pela rápida mudança tecnológica.
Enquanto o Cazaquistão reflete sobre seu passado trágico, a mensagem do presidente Tokayev foi de dignidade, resiliência e esperança. "Lembrar e honrar o passado é correto — mas precisamos seguir em frente e lutar por um futuro melhor", concluiu.
Contexto
O Dia em Memória das Vítimas da Repressão Política e da Fome é comemorado anualmente em 31 de maio. Da década de 1920 à década de 1950, mais de 100,000 cazaques foram condenados por motivos políticos, com milhares executados. A fome da década de 1930, induzida pelas políticas de coletivização soviéticas, ceifou mais de 1.5 milhão de vidas cazaques. O Cazaquistão abrigava 11 campos dentro do sistema GULAG, dos quais ALZHIR continua sendo um dos mais assustadores.
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