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Antisemitismo

O antissemitismo na Grécia deve ser enfrentado de frente

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Nas últimas semanas, tenho observado com profunda preocupação o ressurgimento do antissemitismo em meu país. Turistas israelenses têm sido ameaçados e até agredidos fisicamente simplesmente por falarem hebraico. Manifestantes bloquearam navios de cruzeiro e vozes radicais dominam o discurso, tanto na mídia quanto nas redes sociais. escreve Benjamin Albalas, sobrevivente do Holocausto, presidente da Marcha Europeia dos Vivos.

Deixe-me ser claro: esse aumento do antissemitismo não se deve apenas à guerra em Gaza. O que estamos testemunhando é a exploração de um conflito trágico por grupos extremistas na Grécia, particularmente da esquerda progressista e do Partido Comunista, que estão usando a situação como desculpa para atacar Israel e, por extensão, o povo judeu.

Apesar deste momento difícil, ainda acredito que a Grécia é um país seguro para os judeus. Minha família e eu vivemos abertamente como judeus. Não temos medo. Mas gostaria de ver as autoridades gregas aplicarem as leis antirracistas já em vigor. Este não é o momento para silêncio ou neutralidade. Quando se permite que a incitação cresça descontroladamente, ela põe em risco não apenas os judeus, mas também os próprios alicerces da nossa democracia.

Como sobrevivente do Holocausto, sei aonde o ódio pode levar. Quando vi as imagens dos reféns israelenses Evyatar David e Rom Braslavsky — famintos, humilhados, destruídos —, voltei à imagem do menino assustado que eu era 80 anos atrás. Lembrei-me dos sobreviventes de Auschwitz e da minha própria experiência como uma criança escondida durante a ocupação nazista de Atenas. O trauma não é história; ele vive dentro de nós.

Como presidente da Marcha Europeia dos Vivos, acredito profundamente no poder da educação para combater o ódio. Todos os anos, milhares de jovens, judeus e não judeus, caminham de Auschwitz a Birkenau no Dia da Memória do Holocausto. Eles caminham não apenas para relembrar o passado, mas para compreender aonde o ódio desenfreado pode levar. Eles voltam para casa comprometidos em promover a tolerância e os direitos humanos e em se posicionar contra todas as formas de ódio em prol da humanidade.

Aqui na Grécia, marchamos todos os anos no dia 16 de março em Tessalônica, comemorando o dia em que os judeus da cidade foram deportados pela primeira vez para Auschwitz. A marcha, com a presença de judeus e não judeus, autoridades governamentais, líderes comunitários e religiosos, e estudantes, é um lembrete de que a memória não deve ser passiva. Ela deve nos levar a agir.

Para enfrentar o aumento do antissemitismo, precisamos promover a tolerância, o diálogo e a verdade histórica. Não podemos permitir que extremistas dominem o discurso público ou intimidem aqueles que acreditam na democracia e nos valores ocidentais. Agora, mais do que nunca, precisamos da coragem moral de líderes, educadores e cidadãos para defender a justiça, a coexistência e a paz. O futuro da nossa sociedade depende disso, e devemos agir com clareza, firmeza e sem medo.

Benjamin Albalas nasceu em Atenas em 1937. Ainda criança, durante o Holocausto, sua família sobreviveu graças à bravura do Dr. Panos Macheras, um médico grego que os alertou sobre os planos nazistas em 1943, logo após o início das deportações em Tessalônica. A família adotou identidades cristãs e se escondeu. "Tomamos todas as precauções", lembra Albalas. "Permanecemos escondidos até o final de 1944, quando a Grécia foi libertada." Em 24 de março de 1944, enquanto a família estava escondida, centenas de judeus foram presos na sinagoga de Atenas, onde Albalas vivera quando bebê, e deportados para Auschwitz. Poucos sobreviveram. O Dr. Macheras foi posteriormente reconhecido como Justo entre as Nações pelo Yad Vashem por suas ações corajosas.

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Colaborador convidado - Opinião

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