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A lição de Srebrenica é a prevenção. Por que o mundo não a aplica à Caxemira?

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Todos os anos, a comunidade internacional se reúne para lembrar as vítimas do genocídio. As cerimônias são solenes, os discursos comoventes e a promessa familiar: "Nunca mais". Escreve o Dr. Ghulam Nabi Fai, Presidente do Fórum Mundial para a Paz e a Justiça.

Em 9 de julho de 2026, as Nações Unidas comemoraram o Dia Internacional de Reflexão e Comemoração do Genocídio de Srebrenica de 1995. Mais do que uma lembrança de um dos crimes mais sombrios da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, o evento tornou-se um poderoso lembrete de que o genocídio é evitável — se o mundo tiver a coragem de reconhecer os sinais de alerta antes que a catástrofe se instale.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, transmitiu a mensagem central do dia: "O direito internacional é igualmente claro: os Estados têm a obrigação de prevenir o genocídio."

Ele alertou que o discurso de ódio, a negação da guerra, a glorificação de criminosos de guerra e o crescente extremismo não são acontecimentos isolados, mas sim sinais de alerta que exigem ação imediata. "Não podemos ignorar esses sinais de alerta. Devemos agir com antecedência, pois a prevenção é nosso dever coletivo."

Essas palavras não devem ficar restritas a Srebrenica. Elas devem orientar a resposta mundial sempre que houver riscos reais de atrocidades em massa.

Um sobrevivente de Srebrenica expressou essa responsabilidade com mais força do que qualquer diplomata: "Não estou pedindo ao mundo que carregue a minha dor. Estou pedindo que ele assuma a sua responsabilidade."

Essa responsabilidade é precisamente o que as Nações Unidas abraçaram por meio da Convenção sobre o Genocídio e da doutrina da Responsabilidade de Proteger. Ambas se baseiam em um princípio simples: prevenir é muito melhor do que lamentar.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, reforçou essa ideia: "O genocídio não acontece da noite para o dia."

A história lhe dá razão. Ruanda, Bósnia, Camboja e o Holocausto foram todos precedidos por anos de discriminação, desumanização, exclusão, perseguição e incitação. Quando os assassinatos em massa começaram, inúmeros sinais de alerta já haviam sido ignorados.

Isso levanta uma questão incômoda. Se as Nações Unidas acreditam que a prevenção exige agir diante dos primeiros sinais de alerta, por que a mesma urgência não se manifesta quando surgem preocupações sobre a Caxemira?

Durante anos, organizações de direitos humanos, especialistas independentes, jornalistas e acadêmicos têm documentado acontecimentos que muitos acreditam merecerem uma análise internacional rigorosa.

Em 2022, o Dr. Gregory Stanton, presidente da Genocide Watch e um dos principais especialistas mundiais em prevenção de genocídio, alertou que a Índia estava apresentando vários dos processos identificados na estrutura das "Dez Etapas do Genocídio" de sua organização. Referindo-se especificamente à Caxemira e a Assam, ele advertiu que, embora o genocídio não tivesse ocorrido, os sinais de alerta estavam se tornando cada vez mais graves.

Sua conclusão merece atenção cuidadosa: "Seria difícil dizer que há um genocídio na Caxemira... mas o que está acontecendo lá são os primeiros sinais e processos de genocídio."

Sua preocupação foi ecoada por referências à retórica desumanizadora, às restrições que afetam as minorias, à revogação da autonomia constitucional de Jammu e Caxemira e à extensa presença militar na região.

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas expressou repetidamente preocupação com a liberdade de imprensa na Caxemira. A escritora indiana Arundhati Roy há muito descreve a Caxemira como uma das regiões mais militarizadas do mundo.

Nenhuma dessas observações, por si só, comprova o genocídio. Tampouco uma determinação tão grave deve ser feita levianamente. Mas esse é justamente o ponto. A prevenção não deve começar depois que o genocídio for legalmente estabelecido. Ela começa quando surgem sinais de alerta confiáveis.

Na cerimônia de comemoração de Srebrenica, o Conselheiro Especial do Secretário-Geral para a Prevenção do Genocídio, Sr. Beyani, declarou: "O alerta precoce deve levar à ação precoce."

Mô Bleeker, Conselheiro Especial do Secretário-Geral para a Responsabilidade de Proteger, transmitiu uma mensagem igualmente convincente: "A Responsabilidade de Proteger nunca foi concebida para ser lembrada — ela foi concebida para ser concretizada."

Essas não são meras citações inspiradoras. São testes de credibilidade internacional. Se a prevenção só se aplica após a existência de consenso político, deixa de ser prevenção. Se for invocada seletivamente, deixa de ser um princípio universal.

A tragédia de Srebrenica não foi a falta de informação no mundo, mas sim a incapacidade do mundo de agir com base na informação que possuía.

Toda comemoração de genocídio convida a humanidade a aprender com a história. Aprender, porém, exige constância. Exige fazer perguntas difíceis, mesmo quando elas dizem respeito a Estados poderosos ou conflitos politicamente sensíveis.

A comunidade internacional não deve esperar que a história decida se os sinais de alerta de hoje foram suficientemente significativos. Deve examiná-los agora — com imparcialidade, transparência e urgência. Caso contrário, a promessa anual de "Nunca Mais" corre o risco de se tornar menos um compromisso e mais um ritual.

O povo da Caxemira, assim como as comunidades vulneráveis ​​em todo o mundo, merece mais do que discursos. Merece a vigilância que o direito internacional exige e o engajamento preventivo que os líderes mundiais proclamam repetidamente.

"A história não julgará a comunidade internacional pela eloquência de suas comemorações. Ela a julgará por ter reconhecido os sinais de alerta a tempo — e por ter tido a coragem de agir antes que 'Nunca Mais' se tornasse 'Tarde Demais' mais uma vez."

O Dr. Fai é também Secretário-Geral do Fórum Mundial de Conscientização sobre o Caxemira.
Ele pode ser contatado pelo WhatsApp: 1-202-607-6435
[email protected]

kashmirawareness.org

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Colaborador convidado - Opinião

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