Rússia
O que esperar de uma possível reunião dos presidentes dos EUA e da Rússia?
A recente oferta do presidente Biden de se encontrar com o presidente Putin em meados de junho para conversas ainda está entre as principais notícias do feed de notícias internacionais. Analistas e jornalistas estão se perguntando onde na Europa esse encontro acontecerá. No entanto, a localização da cúpula obviamente não é o principal no próximo evento. A agenda dessas negociações deve ser fundamental, especialmente tendo em vista a retórica dura de Washington contra Moscou e a série de novas sanções em curso, escreve Alex Ivanov, correspondente de Moscou.
Por um lado, como disse o secretário Blinken em uma recente entrevista à BBC News: "Washington quer um relacionamento estável com Moscou."
Mas, ao mesmo tempo, o lado americano promete responder ao "comportamento irresponsável e desestabilizador" da Rússia.
Blinken também disse que em uma reunião recente do G7 no Reino Unido, os EUA se concentraram na interferência da Rússia em suas eleições e ataques de hackers por meio da empresa de software SolarWinds, atribuídos ao lado russo. Além disso, foi discutida a situação em torno do líder da oposição Alexei Navalny, que atualmente está na prisão e declarado um "prisioneiro de consciência" no Ocidente.
Anteriormente, os chanceleres do G7 pediram relações estáveis e previsíveis com Moscou. Antes disso, o presidente dos EUA, Joe Biden, foi advertido contra lutar com a Rússia.
Blinken declarou o desejo de Biden de discutir com o presidente russo, Vladimir Putin, a estabilização das relações entre Moscou e Washington. Acrescentou que os Estados Unidos não procuram agravar as relações com a Rússia, mas responderão aos passos que consideram hostis. Segundo o chefe do Departamento de Estado, “uma conversa direta entre as lideranças vai beneficiar os dois países”.
A cúpula russo-americana está prevista para ocorrer em meados de junho na Europa - embora ainda não haja uma confirmação oficial, e o Kremlin não tenha pressa em responder à proposta de Washington. O local ainda não foi selecionado. As capitais da Finlândia, Áustria e até da República Tcheca são nomeadas (apesar do crescente escândalo sobre as acusações da Rússia de envolvimento na explosão de um depósito de munição na cidade tcheca de Vrbetice). O Kremlin, por sua vez, considera todas essas conversas "prematuras". Até agora, apenas as datas preliminares são mencionadas - 15-16 de junho.
Sabe-se que a esta altura, Biden estará na Europa por vários dias como parte de uma grande turnê. Ele comparecerá à cúpula do G7 na Cornualha Britânica (11 a 13 de junho) e à cúpula da OTAN em Bruxelas (14 de junho). E no status de "líder do mundo ocidental", Biden pretende ir a um encontro com Putin.
O que Biden vai discutir na Europa na véspera do encontro com Putin? A mesma coisa que acabou de ser discutida em Londres na reunião de Ministros das Relações Exteriores do G7: combater a Rússia e a China. Isso também será discutido na cúpula da OTAN - "As ações agressivas da Rússia e as mudanças internacionais na esfera da segurança associadas ao fortalecimento da China."
O que quer que os analistas e jornalistas possam pensar, o encontro dos líderes da Rússia e dos Estados Unidos, se ocorrer, dificilmente levará a um avanço nas relações. A distância entre Moscou e Washington é muito grande. Como se sabe, o embaixador russo na América, Anatoly Antonov, foi chamado de volta à Rússia há mais de um mês (desde 17 de março) "para consultas".
Moscou deixa claro que não se espera que Antonov retorne a Washington em um futuro próximo. A Rússia espera que os Estados Unidos "dêem pelo menos alguns passos para normalizar as relações". Acredita-se que o embaixador foi convidado à Rússia para consultas depois que Biden reagiu positivamente à pergunta de que Putin era um "assassino".
O Itamaraty disse que Antonov foi convidado a buscar "maneiras de melhorar" as relações entre a Rússia e os Estados Unidos. A representante oficial do ministério, Maria Zakharova, disse na época que Moscou queria evitar a “degradação irreversível” das relações bilaterais.
Depois de chegar a Moscou, o embaixador Antonov disse que os diplomatas têm muito trabalho a fazer para analisar o estado atual das relações russo-americanas. A Rússia está determinada a não deixá-los "cair no abismo", acrescentou Antonov.
Independentemente do que os políticos e jornalistas possam esperar da reunião proposta por Biden, a lista de queixas de Washington é longa demais para tocar brevemente em todos os tópicos durante as negociações. Ao mesmo tempo, não se deve esquecer que o Kremlin discorda categoricamente das várias acusações e declarações da Casa Branca. Além disso, Moscou acredita que os Estados Unidos estão deliberadamente "provocando" a Rússia para impedir o fortalecimento de sua política externa e de suas posições econômicas na Europa e no mundo. O melhor exemplo disso são os ataques agressivos de Washington ao projeto de energia Nord Stream 2, tentativas de denegrir as ações de Moscou na Síria por todos os meios. Um fator adicional são as já tradicionais acusações contra a Rússia de interferir nos processos políticos internos dos Estados Unidos, antes de mais nada nas eleições presidenciais.
Se adicionarmos a isso as abordagens diametralmente opostas da Rússia e da América em relação à situação na Ucrânia e à notória questão da Crimeia, então as chances de alcançar qualquer compromisso ou mesmo reaproximação das posições de ambos os lados permanecem mínimas.
Biden provavelmente repetirá seu famoso "mantra" de que a Rússia "pagará um alto preço" por atacar os interesses dos Estados Unidos. O lado russo mais uma vez fará declarações sobre a falta de fundamento das acusações americanas contra Moscou.
Em todo caso, se a reunião ocorrer, será um certo momento marcante, que deverá confirmar ou refutar a real disposição de Washington de construir um "diálogo normal" com Moscou. Embora, como muitos acreditam na Rússia, tal prontidão do lado americano fosse uma grande surpresa se, além disso, as palavras dos americanos fossem confirmadas pelo caso.
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