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Ucrânia

Ataques às fábricas da EuroChem ameaçam aumento dos preços dos alimentos

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As últimas semanas têm oferecido motivos para um otimismo cauteloso quanto às perspectivas de um cessar-fogo na Ucrânia: as negociações realizadas em Istambul levaram a uma troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. A primeira fase da troca, envolvendo mais de 300 pessoas de cada lado, ocorreu em 24 de maio. No entanto, ao mesmo tempo, ambas as partes estão trocando ataques com drones, e a espiral de escalada ameaça sair do controle.

Na noite de 24 de maio, o exército ucraniano respondeu aos brutais bombardeios de Kiev com seus próprios ataques a usinas na Rússia central. Desta vez, entre os alvos estava a JSC "Azot", a maior produtora de fertilizantes nitrogenados da Europa, localizada perto de Tula. Como resultado dos ataques, a usina — que produz milhares de toneladas de fertilizantes por dia — foi fechada. Tanques contendo o gás tóxico amônia foram danificados, e a avaliação das consequências e a eliminação dos danos levarão tempo. Este ataque, que estabelece um precedente, pode levar a uma nova expansão do conflito.

Até agora, a Ucrânia não atacou fábricas de fertilizantes russas, e os fertilizantes em si não foram sujeitos a sanções ocidentais diretas. A Rússia é um dos principais produtores de fertilizantes do mundo, e sanções contra eles levariam a um forte aumento nos preços não apenas dos fertilizantes em si, mas também dos produtos agrícolas. Os fertilizantes faziam parte do acordo de grãos entre a Rússia e a Ucrânia, que vigorou entre 2022 e 2023, segundo o qual a Rússia concordou em não obstruir a exportação marítima de grãos da Ucrânia em troca do alívio das sanções às suas próprias exportações de alimentos. O acordo fracassou em 2023, mas em 2025 voltou a ser discutido entre a Rússia, os EUA e a Ucrânia como um dos elementos das negociações de cessar-fogo.

As autoridades ucranianas ainda não explicaram os motivos pelos quais o exército ucraniano decidiu atacar "Azot". O Ministério das Relações Exteriores da Rússia já declarou que o aumento dos ataques com drones ucranianos receberá uma resposta "adequada". Na Rússia, as vozes que pedem uma resposta simétrica aos ataques ucranianos estão se intensificando — atacando a infraestrutura civil ucraniana ligada à produção e exportação de alimentos.

Isso pode significar que o exército russo expandirá a lista de alvos que ataca. No passado, a Rússia usou uma justificativa semelhante para ataques a usinas ucranianas, que desativaram mais de 70% da geração térmica do país — o que foi apresentado como retaliação aos ataques de drones ucranianos a refinarias de petróleo russas.

Agora, por analogia, os ataques russos poderiam ter como alvo a infraestrutura de exportação agrícola da Ucrânia — portos, elevadores de grãos, instalações de armazenamento de óleo de girassol. Atualmente, as exportações do agronegócio são um dos pilares da economia ucraniana: em 2024, segundo o Ministério da Agricultura do país, elas representariam US$ 24.5 bilhões, ou 59% de todas as exportações ucranianas. Assim, os ataques com drones russos podem ter como objetivo minar a principal fonte de receita da Ucrânia.

Para o mundo inteiro, incluindo a Europa, isso significaria um aumento nos preços dos alimentos e uma repetição da situação de 2022, quando os preços dos grãos e do óleo de girassol dispararam de 30% a 40% em questão de meses. Desde então, os preços caíram quase pela metade em meio à desaceleração da inflação. No entanto, as guerras comerciais iniciadas pelo governo Trump provavelmente levarão a um novo crescimento da inflação e, ao mesmo tempo, a uma desaceleração econômica — o que significa uma queda na renda familiar. Como resultado, para os consumidores comuns, o aumento dos preços dos alimentos em 2025 pode ser ainda mais doloroso do que em 2022. Ataques mútuos da Ucrânia e da Rússia à infraestrutura de produção de alimentos podem levar a um choque nos mercados globais — potencialmente maior em escala do que o choque do mercado de energia de 2022.

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